TURISMO DE NAUFRÁGIOS: UM UNIVERSO A SER DESCOBERTO
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A Patagônia e as marcas das cidades que cresceram olhando para o mar

Naufrágios, antigos cais e patrimônio marítimo: uma história que poderia se transformar em uma nova experiência turística. Quando pensamos em Puerto Madryn e em seus atrativos turísticos, surgem rapidamente as baleias, as praias, o mergulho, a fauna marinha e as paisagens do Golfo Nuevo.
Mas há outra história, menos visível, que também faz parte da identidade de nossa cidade, que cresceu profundamente ligada aos barcos que navegaram pelas águas do Golfo. Uma história que está na costa, nos antigos cais, nos vestígios de objetos que ainda sobrevivem entre nós e, especialmente, sob as águas.
É a história dos barcos que um dia navegaram por estas costas e que, por diferentes circunstâncias, acabaram fazendo parte do patrimônio marítimo de Puerto Madryn.
O Guia Ilustrado de Naufrágios e Outros Bens Patrimoniais Históricos Marítimos de Puerto Madryn, elaborado por Guillermo Gutiérrez e Dolores Elkin no âmbito do Programa de Arqueologia Subaquática do INAPL, identifica sete naufrágios dos séculos XIX e XX, além de infraestrutura portuária histórica e outros objetos relacionados à navegação. Todo esse conjunto constitui o que os pesquisadores denominam a paisagem marítima da cidade.
Quando começamos a percorrer esse patrimônio em um mapa, descobrimos algo fascinante: existe praticamente um percurso histórico acompanhando a costa de Puerto Madryn, de norte a sul.
O Farol Golfo Nuevo, a escuna Colomba, os antigos cais Guttyn Ebrill e Luis Piedra Buena, o naufrágio Río de Oro, a escuna Emma, a hélice do vapor Villarino, o rebocador Madryn, o naufrágio Bahía Galenses, Punta Cuevas, o vapor Kaiser e o barco pesqueiro Folias fazem parte desse patrimônio identificado.
Cada nome é somente o começo de uma história
A Colomba, por exemplo, é representativa dos últimos veleiros com casco metálico destinados ao comércio costeiro do final do século XIX. Um de seus mastros foi recuperado e atualmente encontra-se no Club Náutico Atlántico Sud, na cidade.
Os antigos cais também contam a história de uma cidade que crescia olhando para o mar. O Guttyn Ebrill, inaugurado em 1886, foi substituído pelo cais Luis Piedra Buena em 1910, quando o crescente tráfego marítimo tornou necessária uma infraestrutura maior. Alguns dos pilares do antigo cais ainda podem ser observados durante marés excepcionalmente baixas.
Há também a Emma. Mas sua história merece uma nota própria. Porque, por trás de cada naufrágio, há muito mais do que um barco afundado: há viagens, trabalho, comércio, tecnologia, acidentes, personagens e momentos que permitem reconstruir diferentes etapas da história de nossa cidade e da navegação patagônica.
Uma experiência turística que ainda deixa muito para descobrir
O interessante é que esse patrimônio não precisa competir com os atrativos turísticos que já identificam a cidade. Ele pode complementá-los e se transformar em um percurso histórico pela costa, em uma proposta de interpretação do patrimônio, em uma experiência vinculada ao mergulho ou em uma maneira diferente de conhecer a cidade e contemplar o Golfo Nuevo.
Na verdade, o próprio guia nasceu, em parte, a partir do diálogo com operadores turísticos locais ligados ao mergulho. Os guias haviam apontado a necessidade de contar com informações sistematizadas sobre os naufrágios para enriquecer as visitas dos turistas. O projeto buscou, então, reunir não apenas informações sobre os naufrágios, mas também sobre outros bens arqueológicos e históricos relacionados ao passado marítimo local.
Os pesquisadores são contundentes ao afirmar que esse patrimônio constitui uma característica distintiva da cidade e que, por sua importância para o conhecimento da navegação patagônica, da história local e da evolução da tecnologia naval, seria apropriado e benéfico integrá-lo à oferta turística existente.
Talvez, então, não se trate de descobrir algo novo, mas de aprender a olhar para aquilo que já temos. Porque, enquanto caminhamos por nossas costas, desfrutamos do mar ou mergulhamos no Golfo Nuevo, há histórias que continuam ali, esperando para ser contadas.
Barcos que um dia chegaram a estas águas e que, embora tenham deixado de navegar, ainda têm muito a nos dizer, por trás de cada naufrágio; com suas viagens, aventuras, acidentes, personagens e episódios que fazem parte da memória marítima desta região da Patagônia.
Na Slow & Steady Travel, estamos desenvolvendo um setor especializado em experiências turísticas subaquáticas. Contato: claudia.slowandsteadyar@gmail.com
Claudia Martitsch Mergulhadora e apneista
Diretora de operações de Slow & Steady Travel




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